Revista There Was A Story


Para comemorar a saída do último livro do Ciclo da Herança, Herança, o InfoTeen fez uma entrevista ao seu escritor, Christopher Paolini. Partilhamos então convosco o resultado:

 

Achas que o facto de teres tido home-schooling influenciou a tua escrita (tinhas mais ou menos tempo para escrever, ler, etc.)?

A minha educação em casa contribuiu para a criação de Eragon no sentido em que me deu a liberdade de explorar assuntos que apanhavam o meu interesse – tais como dinossauros, sagas islandesas, e as pirâmides egípcias. Deixou-me trabalhar à minha própria velocidade e por isso acabei o secundário mais cedo, ficando com alguns anos livres antes de ter de fazer alguma decisão sobre a universidade. E deu-me tempo para pensar, para sonhar sobre aventuras, e para criar o mundo de Alagaësia.

 O teu livro foi primeiro publicado pela editora dos teus pais. Foi difícil encontrar uma editora, mesmo para a segunda edição?

Eu e a minha família fizemos a publicidade para esta edição de autor, criando posters e flyers para ajudar a espalhar a palavra. Durante este período eu fiz 135 apresentações em livrarias, escolas e bibliotecas. Comecei a falar localmente, e depois comecei a marcar eventos em cidades mais distantes.

Lentamente, os leitores começaram a conhecer o meu livro. A palavra chegou a Nova Iorque através de livrarias e do autor Carl Hiaasen, cujo enteado tinha lido o meu livro. As pessoas na editora Alfred A. Knopf ficaram interessadas e contactaram-me directamente.

Tinhas apenas dezanove anos quando te tornaste um autor na lista de bestselling do New York Times. Isto mudou a tua perspectiva em relação à escrita?

Nem por isso. Ainda queria escrever as aventuras de Eragon e de Saphira, e ainda estava a seguir o esboço que tinha criado para a história. Com Eragon, estava simplesmente a tentar escrever uma boa história, uma que eu gostasse de ler. Nunca esperei que fosse publicada. Quando comecei Eldest, senti-me desafiado a repetir o meu feito de realmente escrever um livro, enquanto aplicava toda a prática que tinha aprendido com a minha editora. Portanto tentei escrever de vários pontos de vista. Também levei algum tempo a desenvolver mais as línguas, o que foi, provavelmente, a parte mais difícil de escrever o Eldest. 

Como reagiste quando foste contactado para se fazer um filme de Eragon?

 Fiquei cuidadosamente animado. Quando vendemos os direitos do filme aos estúdios da Fox, abandonamos qualquer controlo de como o livro seria adaptado. É assim que o negócio do cinema funciona. Arriscamos e, sabendo que o livro teria de ser diminuído para caber em duas horas, esperamos que os estúdios conseguissem capturar a essência dos meus personagens e da história. O que vocês viram representa a versão da história dos realizadores. Tive muito pouco envolvimento com o seu desenvolvimento e não contribui em nada no argumento e escolha de actores.

Passaram-se quase dez anos desde que publicaste o Eragon. Quando olhas para trás para esses anos, alguma vez pensaste que chegarias a este nível (e até ganhar um prémio do Guiness)? O que mudou (tirando a evolução da tua experiência)?

Quando era uma criança, pensava que quando crescesse seria um artista, porque adoro desenhar e pintar. Aos poucos, no entanto, escrever o Ciclo da Herança acabou por consumir o meu tempo.

O sucesso dos meus livros deu-me a oportunidade de viajar pelos Estados Unidos, pelo Canadá, e pela Europa e conhecer milhares de fãs. Esta experiência ajudou-me a compreender mais as pessoas e a ganhar mais confiança a falar em público e como pessoa.

É um sentimento estranho e maravilhoso saber que tantas pessoas lêem os meus livros. O facto de a minha história ser tão popular é uma fonte de surpresa infinita, e estou eternamente grato pelo apoio dos meus fãs à volta do mundo.

Tens uma relação muito próxima com os teus fãs, através de sites como o Shurtugal.com e eventos como a Comic Con. Porque é que pensas que isto é um factor importante? Alguma vez influenciou algo que escreveste ou uma escolha que tomaste?

Mike Macauley, o administrador do Shurtugal.com — em conjunto com as pessoas que trabalham com ele e os fãs que correm sites em Portugal, Espanha, Itália e outros países – fazem um trabalho espantoso de fornecer a informação mais recente sobre o meu trabalho. Agradeço-lhes muito.

Embora eu não escreva directamente nestes sites, respondo sempre a todo o correio que os meus fãs me mandam através da minha editora. A partir destas cartas, e com a minha experiencia de conhecer os fãs nas tours, tenho-me apercebido de quanto as histórias podem afectar as vidas das pessoas, e como as acções dos meus personagens inspiraram os fãs a lidarem com as suas dificuldades de uma maneira mais positiva. E sinto-me humilde e honrada quando jovens me escrevem a dizer que o meu trabalho os inspirou a ler mais e mesmo a escreveres histórias deles.

Tiro inspiração de muitas das minhas experiências. O ano passado, tive o privilégio de partilhar um jantar com uma fã e o seu pai. Quando a incentivei a experimentar caracol ela ficou horrorizada! Isso levou-me a inventar uma nova espécie de criaturas para o Inheritance… mas terão de ler o livro para saberem do que estou a falar!

Que parte do Ciclo da Herança achas mais difícil de escrever? E tens alguma cena favorita?

No general, o maior desafio ao escrever o Ciclo da Herança foi encontrar a determinação para trabalhar todos os dias. Uma das partes mais difíceis foi desenvolver a relação entre o Eragon e a Arya. Era um assunto tão delicado, que eu tinha de voltar a pensar e a refazer certas secções várias vezes. Tinha de ter a certeza que cada personagem continuava a ser fiel ao que era no início, e depois que evoluíam de uma maneira para poderem interagir um com o outro realisticamente.

Como uma cena favorita, o nascimento de Saphira é uma das principais; ela é um dragão, e mesmo assim é pequena e vulnerável. Também adoro quando ela e Eragon nadam juntos. Ao escrever essa parte, quase que conseguia sentir a água a passar pela minha pele enquanto eles mergulhavam e vinham à superfície do lago. O forjar da espada em Brisingr também é uma das minhas favoritas, pois tive de fazer imensa pesquisa para a escrever, porque queria que fosse o mais realista possível.

Agora a pergunta cliché: que autores te influenciaram mais?

 O meu trabalho combina elementos de pesquisa e de imaginação. Li imenso folclore enquanto crescia, desde os irmãos Grimm a Beowulf, sagas nórdicas, e a Eneida, e também fantasia contemporânea e ficção cientifica. Além disso, aprendi sobre armas, comida, roupa e os costumes da Idade Média, que é mais ou menos a era em que eu vejo o Eragon a viver. Armado com essa informação, sonhava com as cenas com os meus personagens. E então tentei recriar essas imagens com palavras.

 À medida que o manuscrito se desenvolveu, ia tirando inspiração de boa literatura, música que me causava arrepios pela espinha, grandes filmes, e a natureza – as grandiosas montanhas Beartooth recortam o vale onde eu vivo, e o rio Yellowstone passa pela minha casa. Esta beleza natural ajudou-me a imaginar o meu mundo de fantasia: de vez em quando, quase que conseguia ver a Saphira a voar à volta do topo das montanhas cheias de neve que vejo da minha janela.

Alguma vez tiveste o que se chama de “bloqueio de escritor”? Houve momentos em que não conseguiste escrever durante um longo período de tempo? E se sim, como conseguiste resolver esse problema?

Nos raros momentos em que experimentei esse bloqueio, era por causa de um assunto específico. Nesses casos, tentava imaginá-lo como o resolveria, ou deixava que o meu subconsciente resolvesse o problema enquanto fazia exercício, passeava, dormia ou fazia uma pausa. Se estou mesmo preso, discuto o problema de todos os ângulos com a minha família, editora, ou agente para encontrarmos a melhor solução.

Agora que o ciclo está a chegar a um fim, tens ideias do que irás escrever a seguir? Vais continuar a explorar o mundo de Alagaësia ou experimentar novas coisas?

 Nos próximos meses vou estar a viajar pelos Estados Unidos e Canadá para assinar o livro. A seguir às ferias vou viajar pela Europa. Assim que voltar a casa, tenciono fazer uma pausa e aproveitar para ler bastante. Tenho muitas outras histórias para contar, em fantasia e outros géneros. Assim que estiver pronto, irei escolher aquela que me inspira mais e mergulhar nela. Em relação a Alagaësia… tudo é possível.

Algum conselho para jovens escritores?

O melhor que posso dar é escrever sempre que poderes. Ler muito e estudar como os outros autores compõem as suas frases, diálogos e narrativas. Melhorar a gramática e vocabulário, são as ferramentas do negócio. E encontrar um mentor (um autor, professor, jornalista, etc) que te possa ajudar na escrita, para poderes aproveitar toda a tua criatividade.

Obrigada pela oportunidade de falar com os vossos leitores!
E, como o Eragon diria… que as vossas espadas se mantenham afiadas!

Como todos já devem ter repardo, o Infoteen tem estado bastante parado. Uma das razões, entre outras, é porque me pergunto se valerá a pena continuar com o projecto. Haverá um número razoável de pessoas interessadas? Valerá a pena os moderadores continuarem com notícias que já se vêm noutros sítios?

A revista There Was A Story também chegou a uma pausa, quase pela mesma razão. Tivemos tão poucas respostas em relação à mudança para site, que a mesma dúvida surgiu. Mesmo assim iremos pensar no assunto e talvez haja notícias em breve.

Em princípio haverá pelo menos uma entrevista nas próximas semanas.

Qualquer opinião que queiram deixar, sejam bem-vindos!

Decidi dar mais destaque a esta pergunta, em vez de ser só como referência no último post e como editorial na revista.

Como alguns já poderão ter lido, temos estado a ponderar no futuro da revista There Was A Story. E a pergunta surgiu: será melhor mantê-la em formato de revista ou mudá-la para um website? Continuariamos a publicar contos, a fazer artigos e entrevistas. Mas em vez de ser algo mensal, passaria a ser algo constante.

Peço-vos portanto que deixem a vossa opinião aqui, para nós podermos decidir o que fazer.

A nova edição da revista já está online! E como podem ver pela capa, desta vez contamos com uma entrevista a George R. R. Martin, o escritor de A Song of Ice and Fire (As Crónicas do Gelo e do Fogo)!

Para além disso, pedimos que leiam o editorial, pois surgiu uma questão em relação ao futuro da revista. Assim que o lerem votem no seguinte questionário. Obrigada!

E aqui está a 5ª edição da nossa revista!

Já sabem que podem mandar os vossos contos, que nós iremos analisá-los para serem publicados na revista!

P.S.: Para a próxima edição contamos com uma grande entrevista com um dos maiores escritores do momento!

Embora o mês passado não tenhamos tido uma edição (devido ao Nanowrimo!), este mês trazemo-vos uma edição especial!

Dentro vêm também os resultados do questionário sobre filmes que aqui fizemos.

Feliz Natal a todos, e um Bom Ano Novo!

E depois de um pequeno atraso, aqui está a 3ª edição da revista There Was A Story! Espero que gostem!

Página seguinte »