Nomeações
Melhor Actriz Secundária
Melhor Direcção Artística
Melhor Guarda-Roupa
Melhor Música

O filme ‘Nine’, dirigido por Rob Marshall, marcou presença nos cinemas portugueses no início deste ano. Assisti ao filme logo no fim-de-semana de estreia, não só porque o enredo da história me captou o interesse mas também porque reunia um conjunto de actores de renome, entre eles Nicole Kidman e Judi Dench.

Porém, saí da sala de cinema um pouco decepcionado com o que vira, talvez devido principalmente à criação de expectativas muito elevadas que, de certa forma, não foram correspondidas. Para quem não viu o filme, fica a saber que toda a história se concentra numa única personagem principal, Guido Contini (interpretado por Daniel Day-Lewis), um realizador italiano que sofre uma espécie de bloqueio criativo que o impede de realizar filmes sensacionais como aqueles que marcam o início da sua carreira. Seguindo-o de perto, parece que mergulhámos nos estúdios do cinema para nos sentarmos ao lado de Guido, na cadeira do realizador.

Guido, o protagonista, reflecte uma espécie de confusa decadência: outrora foi uma lenda entre os cineastas, mas agora não passa de um homem no meio da vida, envelhecido, com a barba por aparar e com os cabelos grisalhos a roubar a juventude. Agravando-se, permanece preso a um bloqueio criativo que o impede se recuperar a fama, desmotivado pela pressão da realização de um novo filme que ele não consegue criar. Sente-se doente por ter de encarar a comunicação social, sem palavras que respondam às expectativas do seu novo filme e, principalmente, sentindo-se a abafar pela necessidade de cumprir um compromisso.

Entretanto, Guido tem também uma queda para amar demais, sempre influenciado por mulheres, que estão sempre atrás de si e que tanto lhe dão equilíbrio como o disturbam: Sophia Loren veste a pele da sua mãe; a sua esposa, Louisa, é interpretada pela actriz francesa Marion Cottilard; a prostituta que, em criança, lhe ensinou a ser um italiano e a amar é interpretada por Fergie, que dá voz ao tema principal do filme; a sua musa inspiradora, é interpretada por Nicole Kidman; a sua amante, por Penélope Cruz…

Avaliando agora o filme, considero que um dos seus pontos positivos é que sentimos a desordem que vai na cabeça de Guido. Percebemos que ele sente que, gradualmente, vai perdendo tudo aquilo que construiu ao longo de toda a sua vida, percebendo que, de certa forma, o pagamento do sucesso e da fama é prestado pela passagem do tempo, que há um dia para o auge e outro para o declínio e que no fim, resta-nos somente o maço de cigarros, a loucura de aceitar a solidão e o facto sermos apenas uma sombra ténue daquilo que fomos.

Nomeado para o Óscar de Melhor Actriz Secundária, pela interpretação de Penélope Cruz como a amante de Guido, falarei um pouco desta personagem. Acredito que, dos papéis secundários deste filme, seja este um dos mais desenvolvidos: encontramos em Carla não apenas uma amante sexy mas também uma mulher com um desejo inconsciente de amar Guido, devotando-lhe muitos dos seus sentimentos e mantendo latente o sonho cliché de que um dia a amante será a esposa. Apesar de ser sonhadora, é também inocente: sabemos que Guido nunca terá coragem de a aceitar como mais do que aquilo que para ele ela já é.

Por sua vez, a banda sonora deste filme é excelente e, como Musical, está muito bom. Relativamente ao enredo não posso dizer o mesmo, porque acho que foi dado um grande investimento para a construção da personagem Guido em detrimento das outras personagens: sinto que falta alguma densidade em algumas personagens interpretadas, por exemplo, por Nicole Kidman, Kate Hudson, Judi Dench… esperava que, na história, tivessem uma participação mais activa e que o desenrolar do filme não fosse tão parado, quase monótono (lá para o meio do filme senti-me um pouco cansado de o ver).

Quanto ao título, assenta ao filme como uma luva, visto ter recebido o mesmo nome do filme que Guido começa a realizar, marcando o seu regresso ao mundo do cinema após se ter ausentado durante uns anos. O seu novo filme, e nono, recebe o nome de ‘Nove’ e é inspirado, julgo eu, em todas as mulheres que desde sempre influenciaram aquilo que ele é.

Trailer

Avaliação: 75%

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