Taken – Uma Crítica Algo Nula

Passaram-se apenas uns ligeiros momentos. Terminei a minha visualização diária de alguns filmes. Por alguma razão, decidi colocar no meu singelo leitor de DVD, um surround algo fraquito, a mais recente criação de Luc Besson, com protagonismo de Liam Neeson. Para quem não sabe, Luc Besson é o criador da versão cinematográfica de Artur e os Minimeus, e do filme Joana D’arc, com Milla Jovovich. Escrito com Robert Mark Kamen, criador de Karate Kid e Transporter, este filme teve a sua primeira visualização em Paris, onde foi mais aceite que na América.

Esta pequena jóia, de cerca de oitenta e seis minutos de duração, conseguiu encher-me o dia. Tendo visto ainda hoje algumas peças não tão boas, como taken-2009-20080620001308068_640wMad Money, filme algo caricato, dado que foi o filme pelo qual Katie Holmes trocou o seu papel no mais recente Batman, o filme Taken destacou-se. Não se trata de um drama, de uma comédia, de um filme de acção ou sequer suspense. É algo diferente. Demonstra-se numa categoria distinta. Desde a realização, à fotografia, todo o filme é desenrolado como um véu.

Mas chega de introduções simpáticas.

Tudo começa quando um reformado e divorciado espião, Bryan Mills, cuja vida se baseia à volta da sua filha, que constantemente o ignora, descobre que esta foi raptada, em directo, enquanto fala ao telefone, curiosamente, com ele mesmo. Usando as suas habilidades, Bryan tentará encontrá-la, no local do rapto, nada mais que Paris, a famosa cidade das luzes. SPOILER ALERT: sim, ele consegue, sim, acaba bem.

Todo um drama se desenrola num enredo como que secundário. O espectador sente a dor interior de Bryan, vive com ela. Inicialmente, dói a ilusão que Bryan cria à volta do que era antes a sua família. Quase que deprimimos quando a sua filha (nossa?) parte para longe.

Liam Neeson consegue mesmo entrar no personagem, e quando vemos o seu olhar ao ouvir a voz do raptor, a raiva deste ascende.taken_ver5

Eu já tinha visto Liam na Lista de Schindler, onde se destaca claramente, porém aqui, ele é algo mais. Em Taken, Liam Neeson é tudo o que os “novatos” como Vin Diesel, e Jason Statham querem ser. Com os seus cinquenta e sete anos, este homem passa o nível de James Bond, ou mesmo de Rambo. Ele é o Super-Homem cinematográfico, um Deus.

Filmes como Hitman, ou The Punisher, ambicionam ser como esta caixa de ouro. Sem qualquer falha rítmica, cada murro, cada tiro, cada morte é pura vida no ecrã.

A única falha que lamento é na banda sonora, exceptuando a música dos créditos, que desperta felicidade no ouvinte. A banda sonora em si não se destaca, não possui nada em particular que toque no coração. Porém quanto ao som, nada a dizer.

Todo o filme foi feito a pensar em qualidade, embora se baseie sempre na mesma fórmula. Liam desloca-se ao ponto A, espanca uns albaneses, foge até ao ponto B, interroga o homem X, e parte para outro ponto A qualquer. Carros, pistolas, tudo o que um filme de acção precisa. Aliás, este filme devia ser algo como Liam Vs Albânia Vs França, tudo ao molho e fé em Deus. Perdão, em Liam. Não importa, seja a fórmula como ela for, Liam consegue sempre dar um pouco do seu charme, e iludir o espectador.

Não preciso mencionar que nomes como Leland Orser, aqui Sam, ou Famke Janssen, vista em títulos como X-Men, ou na série Nip-Tuck, são sinónimo de qualidade a nível de representação. Pena porém que a raptada, Maggie Grace, não tenha um papel mais presente no ecrã, embora todo o filme se desenrole à volta dela, e devo concordar a sua presença estragaria todo o suspense. “Terá sido ela violada? Terá sido morta?”, perguntas que nos passam pela cabeça, e certamente pela de Brian. Devo avisar que o que vemos aqui não é um homem descomunalmente forte à procura de uma rapariga. Nem quanto muito um herói renegado, ou um veterano qualquer.

O que vemos aqui é um pai, na verga da loucura, em busca da sua filha. E é neste papel que Liam se destaca melhor.

Como diria o filme:

“I don’t know who you are. I don’t know what you want. If you are looking for ransom, I can tell you I don’t have money. But what I do have are a very particular set of skills; skills I have acquired over a very long career. Skills that make me a nightmare for people like you. If you let my daughter go now, that’ll be the end of it. I will not look for you, I will not pursue you. But if you don’t, I will look for you, I will find you, and I will kill you.” – Bryan Mills.

Sem dúvida, um oito garantido. Possui diversão, espanto, e acção, e melhor que tudo isso, faz o espectador sentir-se parte do filme.

Pontuação: 8/10

H. Ferraz Gomes

Nota: Pretendo com esta crítica, iniciar a minha rubrica Uma Crítica Algo Nula, rubrica que servirá para a minha opinião sobre livros, cinema, entre outros. Se desejarem, façam pedidos, e eu darei uma opinião sobre qualquer livro, qualquer filme, qualquer coisa. Pretendo inovar no campo da crítica, por isso dou ao leitor a hipótese de me pediruma opinião! Obrigado.

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