Após visualizar o filme ‘Harry Potter and the Half Blood Prince’, e como responsável pela redacção da crítica do filme, darei a minha opinião sobre o mesmo, fazendo uma retrospectiva, comentando algumas coisas que me parecem importantes, o que gostei, o que não gostei e portanto aviso que este artigo contém SPOILER para quem não visualizou o filme.

  

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‘Sabes, às vezes nem me apercebo de como cresceste. Ás vezes ainda continuo a ver o pequeno rapaz que vivia na despensa’  Dumbledore, Half Blood Prince

Lentamente, muitos dos fãs percebem que a expectativa que tiveram durante longos anos se esmoreceu e que talvez se venha a perder para sempre. Quantos fãs comentaram entre si, antes da estreia de um grande livro, esboçando teorias sobre as personagens, sobre o destino do Harry, sobre os lendários e sempre presentes Ron e Hermione? Quantos fãs esperaram ansiosamente, durante meses, para que saísse mais um livro, mais um capítulo, mais uma página, para devorarem tudo isso avidamente, como se precisassem de magia para sobreviver?

Um facto é que um livro supera sempre um filme. A primeira coisa que ouvi quando terminei de ver o Half Blood Prince foi um fã a dizer: ‘O livro é melhor que o filme’. Se pelo menos a J. K. Rowling escrevesse os roteiros…  

Como muitos dos leitores se devem lembrar, último livro da saga saiu no dia 21 de Julho de 2007. Nesse dia todos descobriram o fim e mesmo que o possam reviver a partir de um filme, não será a mesma coisa. Hoje, dia 16 de Julho, o antepenúltimo filme de uma das sagas mais aclamadas da literatura Infanto-Juvenil, chegou aos cinemas portugueses e eu, como fã incondicional, não pude faltar à primeira sessão do Half Blood Prince.

Quando mergulhamos naqueles 148 minutos de pura magia, vamos percebendo aos pouquinhos que o Harry que, no 1º ano, aprendia a levitar penas, aprende agora a lutar contra uma força que parece indestrutível e que  o atormenta e a todo o seu mundo. Se perceberemos, todos os filmes tendem a tornar-se mais tenebrosos, mas este é sem dúvida o mais tenebroso de todos eles. Apesar de lhe faltar alguma acção (sim, porque falta!), nunca vemos um dia colorido. O castelo parece estar emerso em sombras e numa escuridão sufocante, em que os protagonistas desconfiam de todos e não sabem quem é realmente nosso amigo. Os Devoradores da Morte atacam Londres, tentam ultrapassar as barreiras mágicas que protegem Hogwarts (mas sem sucesso) e raptam e matam inúmeros inocentes. Uma guerra como tantas outras que conhecemos. Entretanto, Draco Malfoy, infiltrado na Escola, prepara uma invasão de Devoradores da Morte a partir de um método inteligente.

Entretanto, ainda na face negra, Dumbledore prepara Harry para grande batalha que se encontra predestinada: Voldemort é Imortal, criando sete Horcruxes e isso é terrivelmente pavoroso. Como matar alguém que não morre? Confesso que as partes de transmissão dos ensinamentos sábios do velho director podiam estar muito melhor: No filme só encontramos duas memórias sobre o jovem Tom Riddle, sendo que no livro podemos encontrar cinco (se não me engano). Estes são os momentos mais negros e obscuros, que provocam maior hesitação e excitação para que no fim se revelem totalmente vãos, já que a última batalha do maior feiticeiro do mundo se revela um grande e absurdo fracasso. Cabe a Harry Potter, no próximo capítulo da saga, levar a cabo a dolorosa missão que lhe foi confiada.

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Do outro lado, é nos apresentada uma face cómica que serve para estabelecer um certo equilíbrio. Temos a comédia romântica: este é, sem sombra de dúvida, o filme mais negro, mas o mais cómico: as gargalhadas surgem-nos como provocadas por uma poção: as hormonas, inimigas dos adolescentes, atacam os estudantes de Hogwarts: Lavender Brown, namorada de Ron Weasley, consegue ser excepcionalmente ridícula; Cormac McLaggen anda atrás de Hermione Granger, gabando-se dos seus talentos desportivos e achando-se o melhor da escola (a parte em que ele lambe os dedos, no jantar do Slughorn, olhando sedutoramente para a Hermione, deve ser uma das partes mais divertida do filme); Depois temos as reacções do Ron face à relação que Ginny e Dean Thomas têm, ‘fazendo marmelada’ (sim, usam mesmo esta expressão!) no bar, em Hogsmeade.

Temos a Luna e os seus diversos momentos engraçados, como o seu vestido para a Festa de Natal, os espectróides e o grande chapéu para o Quidditch! E o Quidditch, sim, está de volta e em grande! Adorei ver o desporto dos feiticeiros ali, novamente! E destaco, é claro, aquele momento em que o Harry parece ficar parvo após beber a Felix Felicis… lembram-se de o ver a bater palmas, como uma criancinha de 5 anos? Sim, a comédia estava divinal e foi bem captada. Enquadrou-se perfeitamente e penso que, em relação a ela, não me posso queixar muito.

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Também gostei de ver aquele pequeno detalhe do Ollivander a ser raptado e, é claro, a Fawkes a sobrevoar Hogwarts para nunca mais voltar (este momento podia ter sido muito melhor aproveitado, mas enfim). Mas agora vêm as objecções: em primeiro lugar, não vi qual o interesse do ataque à Toca (primeiro, ele não aparece no livro; segundo, quase não há acção; e terceiro, está a ocupar tempo muito valioso que não é empregue noutros momentos). O tempo gasto neste episódio podia ter sido implementado em memórias sobre Tom Riddle, no funeral do Dumbledore ou até mesmo no ataque a Hogwarts (sim, tanto aparato para entrarem os Devoradores da Morte mas só destroem o Salão nobre e a Cabana do Hagrid!). Sinceramente, acho que aquela lutazinha no final e o desaparecimento do funeral do director, é que estragam tudo no filme. Quando o filme acabou e acenderam as luzes, eu percebi que faltava ali alguma coisa…

Também não gostei de ver o Neville (cujo papel é tão irrelevante) como empregado na Festa do Slughorn (para que servem os Elfos de Hogwarts, afinal?) e fiquei espantado quando vi que a Tonks e o Lupin já formavam um casal: como podem ver, ela chama-lhe querido, à saída da casa dos Weasleys. E, certamente, não me posso esquecer que a Hermione assumiu perante o Harry que gostava do Ron, o que só acontece no final do sétimo livro.

Esperava mais da relação do Harry e da Ginny. Um beijo de cerca de 5 segundos e nada mais durante o resto do filme…? É muito estranho, quando no livro a relação deles era muito mais profunda: passeavam pelos jardins de Hogwarts, andavam juntos e tinham um ar de típico casal adolescente.

No entanto, julgando o filme de uma forma geral, ele encontra-se bastante fiel ao livro. A banda sonora é boa, mas podia ser melhor. Os efeitos especiais melhoraram em relação aos outros filmes.

 

Dou 8,5 pontos, como classificação a este filme, numa escala de 0 a 10. Não posso afirmar que é o meu filme preferido, porque ainda não pensei muito sobre isso. Mas deve ser pelo menos o segundo preferido. É claro que o livro é melhor e os fãs que se deixam ficar só pela magia do cinema, então não são verdadeiros fãs: a magia pura é aquela que encontramos nas páginas dos livros.

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