Acabei ontem o livro que encerra a famosa e aclamada saga de Stephenie Meyer, que conquistou milhares de leitores pelo mundo fora e que se tornou ainda mais popular com a saída do filme Twilight, em Novembro do ano passado. Após a leitura de ‘Amanhecer’, e como encarregue da secção de literatura do Infoteen, eu decidi dar a minha opinião sobre a obra, fazendo uma retrospectiva, comentando algumas coisas que me parecem importantes, o que gostei, o que não gostei e portanto aviso que este artigo pode conter SPOILER para quem não leu a obra.

crepsculojo0Descobri o Crespúsculo há cerca de três anos atrás, na altura em que a febre pelo romance de Bella Swan e Edward Cullen ainda não tinha começado. Li o livro, por pertencer a um estilo de literatura que me agrada e por me ser recomendado por uma amiga de confiança. Gostei da história e confesso que me surpreendeu: que tipo de amor pode vencer as barreiras que aquele casal vence? A escolha pela morte, o secretismo, o frio, a paixão por um coração que supostamente não bate, o desejo pelo sangue… Não devorei a obra, como muitos o fizeram (algumas pessoas lêem aquele calhamaço em cerca de dois dias), mas isso não significa que não a tenha considerado viciante.

Seguiu-se Lua Nova e iniciava-se a febre pela Saga. Este livro interessou-me bastante e superou o Crepúsculo (embora a maior parte dos fãs não partilhe as minhas ideias!).  Aquele conto de fadas e aquela relação que prometia avançar e tornar-se cada vez mais forte pareceu ter um ponto final. Bella podia morrer entre os Vampiros: o desejo do sangue podia chamar mais alto, a tentação talvez conduzisse à desgraça e a força de Edward para proteger Bella começava a enfraquecer. Esta, por outro lado, pouco se preocupava com a sua vida, desejava apenas tornar-se imortal, não envelhecer, amar Edward como uma jovem, para toda a eternidade. Mas inverte-se tudo e Edward vai-se embora. A autora explora delicadamente os sentimentos de perda, de um amor-perfeito mas subitamente despedaçado. Bella Swan procurava agora outra força que a prenda à vida real, envolve-se com Jacob Black, descobrimos o mistério dos lobisomens e os dois, Bella e Jake, tornaram-se nos melhores amigos… até que surge novamente sinais de Edward e o ódio entre lobisomens e vampiros provoca o afastamento do lobisomem. O que é certo é que após Edward escapar a uma morte vampiresca, pôde voltar para Forks com a sua família para que esta vote no destino de Bella: ela deve ser transformada em Vampira (embora fosse obrigatório fazê-lo, visto que ela conhecia o clã dos Vampiros Volturi, uma espécie de realeza entre os clãs vampiros). Novamente, o livro termina com um futuro promissor.

Com Eclipse, a febre pela saga atingiu o auge. Os fãs (principalmente raparigas), começavam a devorar os livros e a amar o Edward Cullen numa espécie de obsessão doentia, como se ele existisse realmente. Surgiram as especulações sobre os filmes e rapidamente o Edward Cullen perdia a identidade: agora o vampiro era Robert Pattison e mais ninguém (o exagero é de tal forma obcecante que o actor quase sofreu um acidente após fugir de fãs). Confesso que talvez tenha sido esta súbita obsessão ou algo nesta altura que me fez torcer o nariz face a Eclipse. Não gostei do enredo: o dilema de Bella: amar um Vampiro e morrer (o que sempre tínhamos previsto) ou amar um Lobisomem e viver?

A escolha era óbvia: Edward ganhou totalmente o coração de Bella e pediu-a em casamento. Jacob afastou-se, magoado. Sentia-se agora um vazio. Bella estava incompleta: tinha o homem que amava, mas perdera o melhor amigo para sempre. O ódio e orgulho entre Vampiros e Lobisomens era agora mais forte para Jacob, apesar da aliança estabelecida entre ambas as forças, que desejavam evitar mortes no território de Forks.

amanhecerkAmanhecer, o último livro e a chave que encerra uma Saga, surgiu como uma manhã clara e misteriosa. Li o livro em cerca de duas semanas. Começava-se a sentir o final e a aproximação de momentos que tinham marcado os romances anteriores e notava-se um amadurecimento: o casamento perfeito, a desejada lua-de-mel do casal preferido da história e… uma criança?! Ninguém esperava que um vampiro pudesse engravidar uma humana!

A surpresa começou a agarrar-me, o que se revela bastante positivo na obra. O que viria daquela estranha gravidez? Uma ameaça antiga, como as antigas crianças vampiras, que matavam demoniacamente por não terem consciência dos seus actos? A pressão começava a aumentar e os leitores começam a especular sobre o futuro difuso enquanto que o ‘feto‘ começava a consumir o corpo de Bella, que ficara muito magra, com falta de sangue e que se encontrava a morrer, com os ossos violentamente quebrados. O amor acabara por se revelar mortífero, porque agora já não era apenas o amor de dois amantes, passava a ser um amor entre mãe e filha.

Aqui, o leitor é induzido para o pior: a morte da protagonista. Graças a Edward, ela recebe o seu veneno e transforma-se em vampira. A criança é perfeita, muito linda e inofensiva, crescendo a grande velocidade. Jacob tem a impressão com a filha dos vampiros, Renéesme. (espécie de sinal e sensação que indica aos lobisomens que a mulher com quem têm a impressão é a mulher da sua vida). Até o pai de Bella era introduzido no universo dos Vampiros, sem conhecer tudo em concreto, mas vendo a filha e a neta a crescer… Nessa altura, um ‘E viveram felizes para sempre’ teria encaixado na perfeição.

Mas não. Os leitores são subitamente surpreendidos com uma reviravolta, com um novo perigo e com a ameaça de perda… Mas após um confronto ‘pacífico’ com o clã mais poderoso de Vampiros, os Cullen acabam por viver felizes para sempre, durante toda a eternidade.

Enfim, o que posso dizer agora? Gostei da obra e da Saga em geral. Talvez não concorde muito com o final, porque tenho a certeza de que o casal não pôde ter vivido feliz para a eternidade depois dos milhares de problemas que enfrentou. Um ponto positivo que me agradou foi o de conhecermos quase todos os Vampiros da realidade da Saga e entre eles destaca-se um que se tornou no meu preferido: Garrett. Meyer explora muito bem esta personagem, a sua convicção, a sua força, a sua vontade de aprender com os outros e de se tornar um ser melhor, sem consumir sangue humano. Talvez a autora se tenha inspirado no autor português Almeida Garrett para criar a personagem, já que esta também viveu num tempo revolucionário e tem ideias patriotas. Fico feliz pelo enquadramento do Rio de Janeiro na acção da obra e pela referência à Língua Portuguesa.

Espero que a editora corrija os poucos erros gramaticais que encontramos espalhados pela obra.

E tenho esperança de que a eternidade dos Cullen não anoiteça nas páginas deste romance. Espera-lhes um longo futuro, especialmente a Reneésme, pois quando atingir a forma adulta (por volta dos sete anos), pode-se confrontar com uma luta para a conquistarem (quem leu a obra sabe do que falo) ou quem sabe se do amor entre a semi-humana e o lobisomem não nascerá um novo problema, uma nova criança, num novo ser mestiço.

Só me resta dizer: Parabéns, Stephenie Meyer, pela excelente obra e recomendar a leitura a todos os que se interessam pelo género literário!

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